Quando se sente que não se tem ninguém por perto, alguém a quem dar um abraço significativo, alguém para contar uma história enquanto se chora para que toda a magoa saia, aí nos sentimos longe do mundo por mais perto que estejamos, é como olhar para o mar e vê-lo bater na areia sem qualquer resposta, mas ele faz isso vez após vez e não se cansa pois gosta daquilo que faz, mas sente-se sozinho pois só os infelizes e distantes o ouvem com atenção, aqueles que precisam só de um pouco de paz, aqueles a quem o suspiro profundo faz parte do dia a dia. O sofrimento que se instala em nós é assustador, é como um vírus que consome todas as nossas defesas, aquelas que tanto nos custou a conquistar para que nada nos acontecesse, e esse tal consome, consome e consome.
